A DOENÇA DA INVISIBILIDADE Walter costumava escrever suas observações à noite, quando o silêncio do consultório parecia mais honesto do que qualquer fala dita durante o dia. A cidade já dormia, mas as telas continuavam acesas. Ele via aquilo como um sintoma do seu tempo: ninguém mais queria repousar da própria imagem. Sobre a mesa havia dezenas de cadernos pretos. Em cada um, anotações sobre pacientes diferentes, mas atravessados pela mesma angústia — a necessidade desesperada de serem vistos. Walter era psicólogo e pesquisador. Há anos estudava a influência das redes sociais no comportamento humano. Defendia a hipótese de que a privacidade havia deixado de ser um direito desejável, para se tornar um peso inútil. As pessoas trocavam espontaneamente, o silêncio pela exposição, como quem entrega a alma em troca de alguns segundos de atenção. Em uma das páginas, escreveu: — “Quem não é visto, não existe.” Era a frase que mais escutava, ainda que dita de maneiras diferentes. Laura, v...
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